Nosso maior medo no Canadá (até agora)

Nos primeiros dias -talvez primeiros meses- os traumas do Brasil ainda faziam com que a gente acelerasse o passo ao andarmos a pé sozinhos pela rua à noite ou não deixássemos bolsas, carteiras ou o celular sozinho em cima da mesa num shopping ou no banco na pracinha enquanto elas brincavam.

Com o tempo, a gente ficou mal acostumado com a segurança daqui, tanto que eu acho que se nós voltarmos ao Brasil vão nos arrancar tudo de valor só por não termos mais o hábito de cuidar.

Por exemplo, nessa foto do parque aqui perto de casa:

campo

Eu tentei capturar a magnitude do verde com a minha câmera do celular, mas é impossível porque o olho não alcança o fim do parque!

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A moral é : Reparem onde a gente fica, enquanto as bolsas com dinheiro/documentos ficam lá do outro lado, sentadas nos bancos, esperando a gente voltar e nunca aconteceu coisa alguma!

Aliás o máximo que já aconteceu aqui foi eu esquecer meu celular no banheiro do shopping e me devolverem ele!

Mas então, do que foi que a gente sentiu medo aqui?

De um grupo de meninas de 16 anos!

Juro.

A gente estava na pracinha que nós sempre levamos elas quando dois grupos de menininhas em idade escolar começaram a implicar umas com as outras.

A julgar pelo fato de que elas eram todas maiores do que eu, eu não sabia o que fazer.

Até que lá pelas tantas… UMA CHAMOU A OUTRA PRA BRIGA e eu pensei “Tô ralada… vou TER que me meter”. Afinal, é a minha responsabilidade como adulta (adulta de um metro e meio, mas adulta) impedir que as crianças brinquem, não é? Acho que é.

O meu marido só podia proteger as nossas filhas porque imagina O PROBLEMA que seria um homem “tocar” em meninas menores de idade caso elas começassem a brigar?

É, naqueles 5 segundos em que eu não sabia o que fazer, tinha sobrado pra mim.

Ainda bem que junto com a gente no parquinho estava uma moça, provavelmente Canadense, e BEM ALTA (hahaha) daquelas que sabem impor respeito (Tipo a Tefa, sabe, Tefa?) e na hora colocou o dedo na cara das meninas e disse “Eu estou com o meu filho aqui e eu não quero saber desse tipo de linguajar perto dele, VOCÊS ENTENDERAM?”

As meninas responderam “Yes, thank you”.

E eu sigo encontrando elas quase todos os dias na pracinha…

Esse episódio foi complicado pra gente como imigrante por vários ângulos. Um deles, foi que eu comecei a pensar no tipo de sociedade em que eu estou inserindo as minhas filhas e no quanto a gente conhece pouco sobre ela.

Acredito que meninas de 16 anos sejam imaturas em todos os países e que, inclusive no Brasil, seria complicado pra mim se as minhas filhas atingissem essa idade tendo que lidar com o bullying no colégio ou na rua, mas aqui,  apesar das ameaças serem mais brandas em todos os aspectos, pelo fato dar vida ser muito fácil e das crianças (e adultos) terem muito pouca noção do que acontece no mundo lá fora (o Canadá é um mundo paralelo), eu acredito que essa implicância com quem tá 0,01% à esquerda do padrão possa ser maior.

“Meninas Malvadas” não estava mentindo! (Meninas Malvadas 2 -aquela porcaria- já é outro caso!)

Enfim, a gente quer que nossos filhos vivam num país legal e seguro, mas ao mesmo tempo não quer criar menininhas alienadas com seus iphones implicando com o cabelo da outra na pracinha.

Criação, vocês diriam. O segredo está na criação.

Espero que o vínculo e as histórias constantes sobre o Brasil levem as nossas filhas a ficarem tão encantadas por poderem deixar as bolsas pra trás e irem brincar quanto nós ficamos e que todo esse conforto que nós lutamos (e estamos lutando) pra conseguir pra elas nunca seja menosprezado.

Mas é complicado criar filhos conscientes (não que eu seja a mais consciente das pessoas, mas eu tenho consciência de alguma coisa – creio)!  Aqui e no mundo inteiro…

Beijos pra vocês!

Beijo, pai! Beijo, Bia! Beijo Piti! Beijo, Gab!

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2 thoughts on “Nosso maior medo no Canadá (até agora)

  1. Que mundo paralelo incrível esse que tu vive e que tu ta criando as gurias! *-*
    Eu, cada dia que passa, penso mais e mais em sair do Brasil. A situação está ficando impossível (mais do que já era).
    Tenho certeza que a luta de vocês jamais será em vão!

    (E Meninas Malvadas 2: que erro!)
    Beijos, beijos, beijos! <3 <3

  2. Posso (provavelmente pela primeira vez na vida) escrever S2? 🙂 sofro todos os dias com saudades dos medos que eu sentia no Canadá. E realmente, na foto nunca cabe todo o verde ^^

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